Quando Saruman, O Branco cria uma bomba que será responsável pela destruição da muralha de Hornburg pelos seus huruk-hai, no filme Senhor dos Anéis (Duas Torres), ficamos com a visão da fragilidade de uma fortaleza depois do advento da pirobalística (uso de armas/projécteis com explosivos). Não há portanto, à princípio, relação entre uma fortaleza como Hornburg (da ficção) com os cenários reais que vemos ao visitar castelos e fortalezas em Portugal. Ou na verdade, é preciso conhecer o real, científico para depois criar e fantasiar com liberdade e sensatez.

Certa vez, ao hospedar uma família de amigos do Canadá, tivemos a oportunidade de presenciar o êxtase de crianças a correr por um castelo (de Sintra) a imaginarem-se a lutar com flechas, capa e espadas. No seu país , nunca haviam visto um castelo medieval real, algo muito comum para crianças europeias. O mundo da fantasia, de lendas, filmes e jogos virtuais encontrava um cenário real. Um misto de emoções e pensamentos envolveu as crianças e a nós. O pensamento de buscar a origem das coisas e sua gradual evolução.




É claro, que esta evolução dos artefactos de guerra, desde a rudimentar lança até as bombas, não foi um processo de magia, como na obra de J.R.R. Tolkien. Aliás, a evolução humana desde à época da pré-história, da pedra lascada e polida, a própria descoberta do fogo são graduais e só há saltos com a entrada de conhecimento promovido por contacto de outras civilizações mais avançadas (na maioria das vezes através de guerras). Por sua vez, armas de ataque novas estimulavam a criação de defesas novas. A par e passo, esta luta de tecnologias de ataque e defesa se perpetua pelos séculos até os dias de hoje, em diversas áreas da ciência (vírus x vacinas). Desde a descoberta da pólvora na China, passando pela utilização dos primeiros artefactos com explosivos na Europa (século XIII pelos árabes na Península Ibérica) até o século XVI, quando os portugueses equiparam seus navios com canhões, foi um extenso processo de desenvolvimento de engenharia militar. Decorrente de todo este processo, também as fortificações foram, ao longo dos séculos, evoluindo no sentido de resistirem aos ataques e cercos de tropas com canhões. Portugal, como um dos primeiros países europeus a terem uma identidade nacional, ao desenvolver e dominar esta tecnologia, mesmo com uma população diminuta, partiu para “dominar o mundo” pela supremacia que a tecnologia permitia. A prova disto, foram suas conquistas nas costas de África, América e Ásia. Até hoje, algumas fortificações se mantém no mundo como prova destes tempos e hoje são pontos turísticos seja no Brasil, Quénia (clica–>Forte em Mombaça), Índia, Cabo Verde e muitos outros lugares.

Para quem tem interesse  no aprendizado didáctico desta evolução( distanciado do questionamento belicista cruel e anacrónico), Portugal apresenta um enorme “parque de estudo antropológico e de engenharia”. Podemos encontrar diversos castelos e fortes, desde o tempo da ocupação dos mouros (por exemplo, castelo de Sintra quando as armas utilizadas eram arco , flecha e semelhantes) e sua evolução deste tipo de construção até seu apogeu com a construção da fortaleza sede da Ordem de Cristo, em Tomar (com o conhecimento de toda a mais avançada tecnologia de engenharia militar da época trazida por Gualdim Paes , de Jerusalém).

Outro exemplo de outra época, remodelado recentemente em Elvas, o Forte Conde de Lippe(Forte da Graça) evidencia tecnologias de defesa (estruturas poligonal com baluarte, fosso seco, etc) que fizeram este forte resistir cercos e tentativas de ocupação (mesmo sob grande adversidade numérica de soldados) em uma região muito cobiçada junto à Badajoz, mantendo a fronteira portuguesa mesmo depois de várias batalhas já no século XIX.

Portanto, visitar Portugal, seus castelos e palácios conservados, tem o potencial de despertar em cada um de nós um mundo de criação dentro de um cenário real!

Veja também –>Rota dos Templários e imagine-se noutras épocas vendo algumas fotos de castelos por Portugal, em Óbidos, Sintra, Bragança, Palmela, Setúbal, Sesimbra, Almourol, etc.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome